Jogo educativo não pode ser chato, diz criador de City Rain

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

19 de setembro de 2011

A proposta do City Rain, jogo desenvolvido por Soria e outros colegas ainda na época da faculdade, é a de transformar o aluno em prefeito de uma cidade.

“Muitos games educativos são desanimadores e subestimam a capacidade do aluno”, alertou, em palestra realizada na Campus Party, o programador Túlio Soria, um dos desenvolvedores do jogo City Rain. Os jogos com fins educacionais, na visão do gamer, devem ser divertidos, desafiantes e motivadores para a construção do conhecimento. “O jogo fala a língua da geração Z, acostumada a games bastante elaborados”, ressaltou, em referência aos nativos digitais.

A proposta do City Rain, jogo desenvolvido por Soria e outros colegas ainda na época da faculdade, é a de transformar o aluno em prefeito de uma cidade. O objetivo é a solução de problemas sociais, econômicos e ambientais típicos de um centro urbano, com foco na sustentabilidade. Os desafios são lúdicos, mas as questões apresentadas no jogo têm relação com a realidade e estimulam o aprendizado por meio da criatividade, da análise e da rapidez. “O aluno vai se divertir mais se estiver imerso num ambiente desafiador”, explicou Túlio.

Durante o game, o jogador deve indicar, por exemplo, o local mais adequado para a construção de um aterro sanitário. Além disso, tem que estar atento aos índices de qualidade de vida na cidade e ao dinheiro em caixa. As decisões devem ser ágeis, pois as intervenções urbanas caem do céu, como num jogo de Tetris. Uma atitude errada faz o nível de sustentabilidade da cidade diminuir, o que não é nada bom para os habitantes do lugar.

Os temas abordados no jogo chegam a quarenta, garantiu Soria, e servem como ponto de partida para o trabalho do professor em sala de aula. Uma versão especialmente voltada às escolas foi desenvolvida a partir do City Rain, a Cidade Verde, com jogabilidade mais fácil. Alunos de vinte escolas públicas já utilizam o jogo nas aulas de Geografia.

Apesar da potencialidade dos jogos educativos, não é fácil desenvolver projetos nesse sentido no Brasil. O tempo e o investimento empregados na elaboração de um jogo como o City Rain são os maiores problemas enfrentados pelas empresas. “Levamos um ano e meio para desenvolver o game e utilizamos verba pública”, explicou Soria. O jogo é vendido por R$ 9,90 no site http://www.ovologames.com/cityrain/BR/.

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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