O aquecimento global causará a desertificação da Amazônia?

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

19 de Abril de 2014

Na eventualidade de um aquecimento global, o que aconteceria com a Floresta Amazônica?

Um experimento de queimada realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) conclui que eventos extremos de seca podem transformar a Amazônia numa savana.

O estudo tem como pressuposto que o aquecimento global terá como consequência eventos frequentes de seca, o que contribuiria para as queimadas naturais.

Por outro lado, Aziz Ab´Saber (geógrafo falecido em 2012) já vinha divergindo sobre a associação do aquecimento global com eventos de seca na Amazônia e Mata Atlântica.

Ab´Saber, um dos mais relevantes geógrafos mundiais, diz que, ao contrário do que apontam alguns modelos climáticos, o aquecimento global não ocasionará a desertificação da Amazônia. Ao contrário, o aumento da temperatura média do planeta pode contribuir com a biodiversidade de floresta.

Explicação de Aziz Ab´Saber

“Em nosso litoral existe a chamada corrente tropical sulbrasileira. É uma corrente de águas quentes que desce desde o Nordeste oriental até o sudeste de Santa Catarina. Essa corrente tem um contrafluxo representado pela corrente das Malvinas, ou Falklands, que vem da Argentina, é composta de águas muito frias e segue quase até o Rio Grande do Sul. Uma das conseqüências do aquecimento global é que essa corrente tropical sul-brasileira ficará mais larga, ocupará uma área mais afastada da costa e irá avançar mais para o sul do Brasil sobre a corrente fria. Portanto, essa corrente quente levará mais calor para as regiões localizadas entre a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul, que hoje vivem um conflito entre águas frias e quentes. Com essa massa de água quente que chegará, a evaporação será mais intensa. Podemos deduzir que vai haver maior penetração de umidade no continente.

Com maior umidade, choverá mais. Por isso, nesse caso o aquecimento global não representará um aspecto negativo do ponto de vista da climatologia da fachada atlântica do Brasil. Portanto, não se pode dizer que a mata Atlântica será atingida por ele. Ao contrário. A tendência é que tanto a mata Atlântica como a Amazônia cresçam, e não que sejam reduzidas. Isso já aconteceu antigamente, num período entre 6 mil e 5 mil anos atrás chamado de optimum climático.Naquela época também houve um aquecimento do planeta, mas foi natural, e não causado pelo acúmulo dos gases na atmosfera, como hoje.”

Trecho da entrevista concedida à National Geographic Brasil, em 2007.

Nas palavras de Aziz, “o aquecimento global fará a floresta crescer, se adensar e multiplicar sua biodiversidade.”

Leia reportagem da Folha sobre o estudo do IPAM: http://miud.in/1Fja

Leia a entrevista do Prof. Aziz Nacib Ab´Saber sobre os efeitos do aquecimento global na Mata Atlântica e Amazônia: http://miud.in/1Fjb

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Há sete anos, fundei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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