6 iniciativas de educação no maior evento de internet do mundo

Adriano Rangel Liziero

Adriano Rangel Liziero

Editor | Geógrafo

9 de fevereiro de 2015

A oitava edição da Campus Party, um dos principais eventos de tecnologia e inovação do mundo, foi realizada entre os dias 03 e 08 de fevereiro, em São Paulo. Assim como nas edições anteriores, a programação contemplou diversas experiências relacionadas à educação. Nesse artigo, você encontra uma seleção especial de temas discutidos na Campus Party que podem servir de inspiração para educadores e editores de conteúdo digital.

O grande destaque desse ano foi o enfoque no empreendedorismo digital. O Startup & Makers Camp foi um espaço dedicado à exposição de ideias e projetos aplicados em todas as zonas temáticas do evento. A educação é uma das áreas que mais atraem novos empreendimentos, com foco especialmente em Big Data, redes sociais, ensino personalizado e gamificação.

1. Interfaces de autoria

Uma das startups com foco em educação é a Mind The Graph, que aposta na infografia para facilitar a compreensão de conteúdos relacionados à saúde e anatomia humana. Na plataforma, alunos e professores podem construir os seus próprios infográficos com base em um banco de ilustrações com mais de 2.000 objetos. Basta selecionar um modelo de template, arrastar os objetos e adicionar texto. A customização de objetos de aprendizagem em plataformas especializadas é uma tendência no contexto da autoria facilitada pelas novas interfaces digitais.

2. Realidade aumentada

Outra inovação é a realidade aumentada, onde o aluno pode manipular objetos em 3D como se eles de fato existissem. A Ekole está desenvolvendo uma solução para o ensino de química de forma interativa, com a possibilidade de o usuário juntar átomos e formar moléculas, visualizando a estrutura no ar.

3. Gamificação e Big Data

E se os ambientes virtuais de aprendizagem fossem parecidos com jogos, onde os alunos são desafiados na medida em que evoluem no curso e aprendem? A Ludific utiliza a gamificação e o business intelligence para tornar o EAD tradicional mais divertido e desafiador, ao mesmo tempo em que possibilita a análise de informações geradas pelos alunos para fundamentar decisões estratégicas por meio de dados estatísticos detalhados. A gestão de dados e a avaliação personalizada são tendências apontadas por especialistas para a educação em 2015.

4. MOOCS e flipped classroom

Outras tendências que estiveram presentes na Campus Party foram os cursos virtuais gratuitos e massivos, conhecidos como MOOCs, e o flipped classroom, ou sala de aula invertida, onde os alunos passam a aproveitar o momento do encontro, na sala, para tirar dúvidas, fazer exercícios e desenvolver projetos, deixando para ver em casa, pela internet, as aulas expositivas gravadas pelo professor.

O responsável pelo maior canal de Física (Física Total) do YouTube brasileiro e embaixador da plataforma YouTube EDU no país debateu esses temas.

5. Programe ou seja programado

Os aplicativos de celular são um dos muitos exemplos de como a cibercultura modificou as formas como nos relacionamos com o mundo. Hoje, saber programar permite desenvolver soluções para diversos problemas do cotidiano. Esse painel abordou como a programação pode ser ensinada desde cedo e a importância disso, não apenas para o desenvolvimento de uma profissão promissora, como também para o aprimoramento de habilidades pessoais dos jovens.

6. Software livre e educação

O software livre não é simplesmente uma questão técnica; é uma questão ética, social e política. É uma questão de direitos humanos que os usuários devem ter. Liberdade e cooperação são valores essenciais do software livre. Os participantes deste painel discutiram como a liberdade do software tem um papel especialmente importante na educação.

Essas foram as atividades que participei na Campus Party 2015, com o apoio da Editora Moderna e da Fundação Santillana. É importante situar a Campus Party como um ambiente de experimentação das tendências que certamente terão um papel relevante na cibercultura e na educação. As invenções desses jovens têm um enorme significado no jeito de ensinar e de aprender.

Adriano Rangel Liziero

Adriano Rangel Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia na USP influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Há sete anos, fundei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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