É possível combinar as aulas presenciais com o ensino on-line?

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

12 de Maio de 2015

Artigo escrito para a revista Sempre Presente, da Editora Moderna. Clique aqui para ler a edição completa.

Muitas vezes, o ensino online, realizado a distância, é visto como um concorrente da sala de aula convencional. No entanto, é bastante comum que os nossos alunos realizem estudos, trabalhos e lições em espaço e tempo extraclasse, sem interação com o professor. É muito difícil que se conceba um processo educacional presencial sem que sejam previstas atividades a distância. Por que, então, não utilizar os avanços das novas mídias, como, por exemplo, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem, como recursos de apoio ao ensino presencial?

Imagine que os alunos possam realizar a lição de casa em um ambiente virtual. Assim que eles terminarem de responder os exercícios, um relatório com acertos e erros é gerado automaticamente. Com base nas habilidades em que cada aluno apresentou mais dificuldades, é indicado o estudo de um objeto educacional digital específico, que pode ser um jogo online que desenvolva as habilidades identificadas no relatório. Em seguida, é gerada uma nova lista de exercícios baseada nos pontos em que o estudante deve melhorar. Por sua vez, o professor pode analisar os resultados de forma individualizada, facilitando a tomada de decisões sobre quais estratégias didáticas utilizar para cada aluno. Esse é um exemplo de como as novas tecnologias podem facilitar a personalização do ensino.

Outra situação que pode exemplificar o uso pedagógico das novas mídias em combinação com as aulas presenciais é o estudo em um laboratório onde, durante algum experimento, os alunos podem ser orientados remotamente, em tempo real, por algum especialista, utilizando os recursos de vídeo conferência. Nesse caso, diferente da situação anterior, o ensino online foi utilizado no mesmo espaço e tempo da sala de aula convencional.

Os dois exemplos utilizados ilustram como o aprendizado on-line pode ser combinado com o off-line, em modelos que mesclam, de forma harmoniosa e balanceada, momentos em que o aluno estuda sozinho ou em grupo, utilizando as novas mídias, com outros em que a aprendizagem ocorre de forma presencial. Essa convergência entre real e virtual na educação recebe o nome de blended learning, ou ensino híbrido.

No passado recente, duas modalidades de ensino se diferenciavam de acordo com a proximidade física dos seus atores: presencial e a distância. Hoje, com a evolução do blended learning, novas possibilidades de ações educacionais podem aproveitar o que existe de melhor nos ambientes presencial e virtual. Dentre as potencialidades de cada uma dessas modalidades de ensino, a sensação de presença não é característica exclusiva de uma delas. Hoje, com as novas mídias, alunos e professores em espaço diferentes podem interagir uns com os outros e, com isso, se sentirem presentes. Na modalidade presencial, o fato de compartilhar o mesmo espaço não garante que exista interação, a exemplo de uma palestra onde o emissor não dialoga com os seus ouvintes.

Com as atuais interfaces digitais, é possível desenvolver atividades on-line com alto grau de interação e, portanto, onde os alunos se sintam presentes, apesar da distância física. Um debate on-line ao vivo, como o Hangout, é uma forma de interação síncrona, isto é, sem atraso entre ação e reação, o que aumenta a sensação de presença dos participantes, mesmo em ambiente virtual.

No entanto, nem sempre o sincronismo é a estratégia didática mais adequada. Uma comunicação assíncrona, como a que acontece nos fóruns, onde o tempo de ação e reação não é imediato, favorece a reflexão e o pensamento crítico, uma vez que os alunos têm mais tempo para analisar problemas e formular respostas. O balanceamento e a harmonia das atividades síncronas e assíncronas, presenciais e online, é a fórmula almejada no blended learning.

Nas aulas presenciais, podemos utilizar recursos digitais que facilitem a interação e a participação, como é o caso dos aplicativos que utilizam a gamificação. Ao invés de apenas propor que os alunos realizem determinadas atividades em sala, o professor pode transformá-las num jogo, com bonificações, vidas e ranqueamento. A medida que desenvolvem as atividades, os alunos se sentem desafiados pelo jogo. O Nearpod (http://www.nearpod.com/) é uma boa indicação para desenvolver esse tipo de atividade em sala de aula.

A convergência entre o ensino presencial e a educação online tem sido tão proveitosa, que, num futuro próximo, com a predominância dos sistemas híbridos, é possível que as denominações “a distância”, “presencial”, “virtual”, “blended” deixem de fazer sentido. A complementariedade entre os recursos digitais e o momento do encontro na sala de aula é uma tendência da educação na cibercultura, favorecendo aulas mais participativas e menos expositivas, aproximando alunos e professores e horizontalizando as relações.

 

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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