A nanotecnologia pode mudar a geografia mundial

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

31 de março de 2017

A nanotecnologia permite desenvolver produtos e processos tecnológicos por meio da manipulação de partículas minúsculas, numa escala atômica e molecular.

A nanotecnologia tem a capacidade de criar coisas a partir do menor elemento, usando técnicas para colocar cada átomo e cada molécula no lugar desejado.

Esse sistema de engenharia molecular pode resultar em uma nova revolução industrial, com impactos econômicos, sociais, ambientais e militares.

O canal Nerdologia fez um vídeo explicando a evolução da nanotecnologia e o que ela é capaz de fazer. No futuro próximo, a nanotecnologia pode desenvolver máquinas moleculares, verdadeiros robôs atômicos que seriam capazes, por exemplo, de construir um carro em minutos.

Com as nanomáquinas, seria possível criar novos materiais a partir da reciclagem eficiente do lixo eletrônico, reaproveitando até os últimos átomos.

Era pós-escassez

A nanotecnologia pode reduzir sobremaneira o custo de produção e transporte, como explica o vídeo do Nerdologia. O maior custo dos materiais estaria concentrado ainda mais no design do produto.

A fabricação molecular aponta para uma nova geografia econômica, pois o abismo entre o desenvolvimento científico e tecnológico no mundo favoreceria ainda mais os países ricos em detrimento dos países emergentes e empobrecidos.

Henrique Rattner, professor aposentado da FEA/USP, analisa o impacto dos progressos técnicos associados à nanotecnologia levando em conta o complexo contexto histórico e social. Em seu artigo intitulado “Nanotecnologia e a política de ciência e tecnologia”, Rattner aborda como a nanotecnologia pode tornar o mundo ainda mais desigual.

A nanotecnologia está sendo apontada como a mais recente das inovações tecnológicas, no rastro da Revolução Verde, da microeletrônica e da biotecnologia que, supostamente, iriam resolver os problemas da parcela mais pobre e marginalizada da humanidade.

Mas, no mundo da concentração de capital e do poder político e militar, a democracia e os direitos humanos estão sendo cada vez mais “escanteados”, sobretudo nos países pobres cujas populações acabam sendo desestabilizadas e excluídas pelos lances especulativos que ocorrem nos mercados de commodities, invadidos e subvertidos por inovações tecnológicas.

Tal como nos ciclos anteriores, a substituição de matérias-primas tradicionais – cobre, alumínio, ferro-liga, borracha e algodão – por nanoestruturas infinitamente mais leves e resistentes, tende a afetar as receitas das exportações e, consequentemente, os padrões de vida dos que trabalham na lavoura, nas minas ou nas indústrias tradicionais

Se, por um lado, a nanotecnologia pode oferecer avanços surpreendentes no desenvolvimento de produtos, por outro ela não representa uma garantia de desenvolvimento humano, especialmente em um mundo desigual, configurado em espaços do mandar e espaços do fazer.

Os atuais polos mundiais de alta tecnologia (tecnopolos) – que agrupam os centros de pesquisa de grandes empresas, próximos a importantes universidades, e contam com eficientes sistemas de transmissão de dados e informações – concentrariam ainda mais riqueza, uma vez que também passariam a produzir as matérias primas e os produtos que idealizam.

Para saber mais sobre o tema, leia o artigo Nanotecnologia e a política de ciência e tecnologia.

 

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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