Entenda como as rochas são formadas

Adriano Liziero | Brenda Mendonça

Adriano Liziero | Brenda Mendonça

Redação do Geografia Visual

5 de abril de 2018

As rochas são elementos-chave quando pensamos no registro da história do planeta. É a partir delas que podemos reconhecer as características do ambiente de determinada região, mesmo há milhares de anos.

Para entender o que faz o magma – material viscoso e de temperatura elevada (entre 700º e 1200ºC) emergir do manto da Terra e tornar-se rocha, precisamos primeiramente entender a dinâmica do nosso próprio planeta por meio do conceito de tempo geológico.

Os grandes processos e ciclos geológicos nos quais nosso planeta está sujeito estão na ordem de centenas a bilhões de anos, portanto, não são mudanças e comportamentos adequados à escala temporal da vida de um ser humano, cuja história no planeta tem cerca de 200 mil anos.

Apesar de não podermos acompanhar esses processos passo a passo, as investigações científicas demonstram como esse material magmático e rochas já produzidas podem se comportar e transformar-se em outros tipos de rocha: sedimentares, magmáticas e ígneas.

 

Esquema simplificado do ciclo das rochas. Retirado de Carneiro et al., 2009

Intemperismo

Agentes externos também fazem parte de todo esse processo cíclico de transformação, através do chamado intemperismo, transformando qualquer rocha quando ela é exposta à hidrosfera ou à atmosfera. Quatro fatores são determinantes na intensidade e tipo de intemperismo a ser gerado:

  • Tempo – Mais ou menos tempo de exposição da rochasignificará maior ou menor transformação da mesma.
  • Clima – Chuva, vento, umidade e, principalmente, o calor do sol.
  • Relevo – Relevos acidentados por água drenada e infiltrada e movimento da superfície quando próxima ou distante de encostas.
  • Presença de organismos – A flora e a fauna também são fatores atuantes no tipo e intensidade de intemperismo gerado, tanto mecânica quanto quimicamente.

Cada um desses fatores poderá influenciar de maneiras distintas os três principais processos intempéricos: físico, químico e biológico. O intemperismo físico trata-se do desgaste físico da rocha, sua desagregação mecânica, afetando primordialmente seu tamanho e sem conexão com alterações na sua composição química.

Quando a rocha passa por processos de alteração química em seus minerais, chamamos de intemperismo químico.

A junção de ambas ações – físicas e químicas – faz parte do intemperismo biológico, no qual organismos vivos são os responsáveis por alterações mecânicas e químicas das rochas, com a produção de determinadas substâncias.

Rochas sedimentares

As partículas de rochas intemperizadas e erodidas, ao serem carreadas pela água ou pelo vento, passam a ser chamadas de sedimento. O transporte ocorre até o sedimento encontrar um local de deposição, como, por exemplo, planícies, leito de rios ou o fundo do mar.

Quanto maior o transporte sedimentar, maior o acúmulo e, consequentemente, maior o peso desse material. Este peso e a presença de fluidos em movimento exerce uma tal pressão sob o sedimento daquele local, promovendo a compactação do mesmo. Assim é formada a rocha sedimentar.

 

Esquema de transporte, deposição e acúmulo dos sedimentos.

Este processo de transformação do sedimento em rocha – ou diagênese – pode ocorrer através de sedimentos tanto de origem litogênica – a partir de outras rochas – como também biogênica ou química, quando alguns minerais passam por precipitação.

É importante ressaltar que as rochas de um mesmo tipo, como as rochas sedimentares, podem ser formadas sob condições extremamente distintas pelo planeta, conferindo a elas outras características particulares e separações dentro desse grupo.

Portanto, seguindo nosso exemplo, as nossas rochas sedimentares podem ser encontradas como grandes blocos maciços, como os arenitos, ou como rochas de aspecto em camadas, fruto de diferentes tipos de sedimento que foram transportados, depositados e compactados ao longo do tempo.

Rochas metamórficas

O nosso planeta é dinâmico e está em constante movimento ao longo do tempo geológico, por ação das placas tectônicas; portanto, as rochas sedimentares, ígneas e magmáticas estão suscetíveis a serem transportadas para locais bem distantes da sua origem.

Dependendo das condições desse novo ambiente, fatores extremos como temperatura ou pressão muito elevadas podem “forçar” a estrutura mineralógica de uma rocha a se reorganizar de maneira orientada. Esse comportamento define a formação das rochas metamórficas.

Como o próprio nome diz, as rochas metamórficas são formadas a partir de rochas já existentes – como sedimentares e ígneas – que passam por um processo de metamorfismo, no qual sua estrutura mineralógica, estrutural e química é reorientada pela influência de altas temperaturas e pressões.

Como exemplo, um sedimento muito fino, como a argila, ao passar pela deposição e diagênese, tende a formar rochas sedimentares – como o argilito – e, ao ser exposta a condições um pouco mais extremas, passa pelo metamorfismo e transforma-se em rochas metamórficas – como o gnaisse e o xisto.

Rochas metamórficas possuem aspecto maciço ou foliado, com grãos firmemente justapostos.

Rochas ígneas

As rochas ígneas possuem algumas particularidades de acordo com seu local de formação. Quando o magma é expelido bruscamente para a superfície – em forma de lava vulcânica – este sofrerá um resfriamento muito rápido e formará uma rocha vulcânica.

Por outro lado, caso o magma passe por um resfriamento mais lento, ele pode dar origem a uma rocha subvulcânica ou plutônica. É importante considerar que este processo todo leva tempo e que a temperatura, alívio da pressão e intrusão de água no sistema são fatores limitantes para que a fusão de um material ocorra.

Com relação à formação de cristais em rochas ígneas, devemos considerar o seguinte raciocínio: quanto mais rápido o resfriamento do magma, como é o caso das rochas vulcânicas, menos tempo ele terá para formar cristais. Um ótimo exemplo de rocha ígnea deste tipo é o basalto. O resfriamento instantâneo do magma quando ele atinge a superfície, forma cristais minúsculos ou imperceptíveis a nós.

Já quando o magma se resfria mais lentamente e perto da superfície, como é o caso das rochas subvulcânicas, este processo gera rochas com pequenos cristais, como o diabásio.

No outro extremo, quanto mais lento o resfriamento do magma, mais tempo ele terá para formar cristais maiores e um ótimo exemplo de rocha ígnea plutônica desse tipo é o granito, como aquele encontrado nas bancadas de cozinha das nossas residências.

Portanto, cabe novamente à dinâmica do nosso planeta o reaparecimento dessas rochas na superfície. Através de processos como a erosão de cadeias montanhosas ao longo dos milhares de anos, a pressão exercida sob as rochas é aliviada, realimentando o ciclo das rochas.  Simultaneamente, agentes intempéricos continuam agindo sob as rochas formadas, gerando mais material para a formação de rochas sedimentares, e assim por diante.

 

Adriano Liziero | Brenda Mendonça

Adriano Liziero | Brenda Mendonça

Redação do Geografia Visual

Adriano Liziero é geógrafo, autor e editor de hipertexto do Geografia Visual. Brenda Mendonça é oceanógrafa e redatora colaboradora do Geografia Visual. Juntos, buscam os melhores conteúdos audiovisuais na internet para explicar Geografia com o poder didático das imagens.

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