A relação entre a fronteira agrícola e o arco do desmatamento na Amazônia

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

20 de abril de 2020

Clique e retire as propagandas

A única maneira de manter o Geografia Visual no ar é com a pequena verba de publicidade. Doe um cafezinho e me ajude a manter o blog sem tanta propaganda. Você pode doar uma só vez ou contribuir mensalmente. Obrigado 🙂


café
café duplo
café triplo
donut
Thank you very much !

A floresta amazônica já perdeu 20% da área original e está prestes a atingir o limite de desflorestamento irreversível, a partir do qual a paisagem deixará de contar com extensas florestas contínuas para dar lugar a uma vegetação rala e esparsa, com baixa diversidade.


Na Amazônia brasileira, a principal responsável pelo desmatamento é a pecuária. A criação de gado na região geralmente é extensiva, com baixo investimento e pouco preparo do solo. As queimadas são largamente utilizadas para a abertura de novos pastos, sendo uma das principais responsáveis pelas mudanças climáticas globais.


É comum que a soja ocupe antigos pastos amazônicos a partir da recuperação do solo com o uso de tecnologia. Dessa forma, embora a cultura da soja no bioma amazônico seja crescente, incentivada pela alta demanda mundial de grãos, os dados de desmatamento relacionados à soja não são tão significativos como os da pecuária, a responsável por abrir novas terras à agricultura.

Clique e retire as propagandas

A única maneira de manter o Geografia Visual no ar é com a pequena verba de publicidade. Doe um cafezinho e me ajude a manter o blog sem tanta propaganda. Você pode doar uma só vez ou contribuir mensalmente. Obrigado 🙂


café
café duplo
café triplo
donut
Thank you very much !

Rodovias: vetores da expansão agropecuária

A abertura de estradas a partir da década de 1960, especialmente as rodovias Belém-Brasília e Cuiabá-Porto Velho, facilitaram a chegada de colonos e a derrubada da floresta amazônica. Quase todo o desmatamento na Amazônia ocorre a 5,5 km de alguma estrada ou a 1 km de rios, segundo estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Esse tipo de desmatamento é conhecido como “espinha de peixe”, formando mosaicos de áreas devastadas ao longo de estradas, intercalados com pequenos fragmentos florestais.

A BR-163 é um exemplo da relação entre rodovia e desmatamento na Amazônia. Inaugurada em 1976, possui 3.579 km de extensão, desde o Rio Grande do Sul até o Pará. A imagem abaixo é próxima a essa rodovia, no trecho situado no limite entre os estados do Mato Grosso e do Pará. Essa é uma das regiões onde há maior índice de desmatamento da Amazônia.

Fronteira agrícola


Em 1960, o Brasil era um país que precisava importar alimentos, inclusive carne e frango. Atualmente, o país é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo e possui o maior rebanho bovino do planeta.

Foram as inovações tecnológicas, ocorridas a partir da década de 1970, as responsáveis por modificar o campo brasileiro. Com elas, a agricultura ficou menos dependente dos ciclos naturais, expandiu a área cultivada e experimentou um aumento na produtividade. A mecanização, a incorporação de novos solos a partir do uso de fertilizantes químicos e a biotecnologia são algumas das principais características da modernização das atividades agropecuárias. Essas transformações no campo se instalaram especialmente na região Centro-Sul, beneficiando sobretudo culturas voltadas à exportação, como a cana, a soja e a laranja.

Com a intensa modernização agrícola ocorrida no Centro-Sul, novas terras passaram a ser incorporadas em direção ao Centro-Oeste e Norte do país a partir da década de 1970. Esse processo é chamado de expansão da fronteira agrícola, marcando o limite entre o que já está e o que ainda será ocupado. Esse limite também pode ser entendido como o avanço da agropecuária sobre o cerrado e a chegada até as bordas da amazônia.

Clique e retire as propagandas

A única maneira de manter o Geografia Visual no ar é com a pequena verba de publicidade. Doe um cafezinho e me ajude a manter o blog sem tanta propaganda. Você pode doar uma só vez ou contribuir mensalmente. Obrigado 🙂


café
café duplo
café triplo
donut
Thank you very much !

O Brasil é um dos países com maior fronteira agrícola do mundo, além de ser um dos que mais expandiram a sua área de cultivo. Ainda assim, o país ainda possui um imenso estoque de terra a explorar.

Autor: José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, IPEA (2016)

O Estado brasileiro participou intensamente da expansão da fronteira agrícola, ordenando a ocupação do campo com incentivos fiscais, projetos agropecuários e de colonização ao longo de rodovias. A criação da  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1972, foi decisiva para desenvolver sistemas de produção mais eficientes.

A utilização comercial das terras do Cerrado foi intensificada com a calagem, uma técnica de correção química do solo ácido. A tropicalização da soja com o uso da biotecnologia propiciou que essa cultura avançasse rumo ao norte, ocupando os chapadões do Brasil central, cuja topografia suave facilita a mecanização.

A mais recente fronteira agrícola do Brasil, iniciada a partir dos anos 1990, é denominada Matopiba, acrônimo para os estados do Maranhão, Tocantins, Piaui e Bahia. Até o final da década de 1980, e pecuária extensiva era a atividade mais comum nessa região. Hoje, esses estados respondem por grande parte da produção de grãos, especialmente soja, e contam com intensa modernização do campo.

Arco do desmatamento 

O avanço da fronteira agrícola se deu sobretudo sobre o Cerrado, que por coincidência é o bioma mais devastado do Brasil, com 52% da sua área original já perdida. Na Amazônia, a chegada da fronteira agrícola se iniciou a partir dos anos 1970, com a participação do Estado no ordenamento de ocupações. O regime militar vigente na época visava ocupar espaços vazios e, com isso, controlar o território nacional. Assentamentos ao lado de rodovias federais recém construídas foram incentivadas e atraíram muitos colonos.


Hoje, essa região forma o chamado arco do desmatamento, um território com 256 municípios que vai do oeste do maranhão e sul do Pará em direção a oeste, passando pelos estados do Mato Grosso, Rondônia e Acre. Ali, ocorrem 75% dos desmatamentos na Amazônia, especialmente no entorno de rodovias.

Em 2019, os estados do Pará e do Mato Grosso foram os que mais sofreram com o desmatamento. Clique na imagem abaixo e explore no Google Maps essa área situada no arco de desmatamento, no limite entre o Pará e o Mato Grosso. Perceba as estradas de terra que se originaram a partir da BR 163, um importante eixo de escoamento da produção agropecuária.

Gostou desse conteúdo?

Esse post foi criado à base de café e ciência geográfica. Doe um café e ajude a manter o site no ar com conteúdos didáticos gratuitos.


café
café duplo
café triplo
donut
Thank you very much !
Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

Você também pode gostar

Fotografias

Gigantismo dos navios e globalização

por Adriano Liziero

Os navios cargueiros estão ficando cada vez maiores.

Fotografias

Cemitério de navios

por Adriano Liziero

Você sabe para onde vai um navio que está velho demais para navegar, após 25 a 30 anos de vida útil? Infelizmente, para estaleiros localizados em países pobres.

Fotografias

Fotógrafo registra morte do rio Doce

por Adriano Liziero

Lama, lágrimas e morte: a jornada de fotógrafo no rio Doce