A relação entre a fronteira agrícola e o arco do desmatamento na Amazônia

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

20 de abril de 2020

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A floresta amazônica já perdeu 20% da área original e está prestes a atingir o limite de desflorestamento irreversível, a partir do qual a paisagem deixará de contar com extensas florestas contínuas para dar lugar a uma vegetação rala e esparsa, com baixa diversidade.


Na Amazônia brasileira, a principal responsável pelo desmatamento é a pecuária. A criação de gado na região geralmente é extensiva, com baixo investimento e pouco preparo do solo. As queimadas são largamente utilizadas para a abertura de novos pastos, sendo uma das principais responsáveis pelas mudanças climáticas globais.


É comum que a soja ocupe antigos pastos amazônicos a partir da recuperação do solo com o uso de tecnologia. Dessa forma, embora a cultura da soja no bioma amazônico seja crescente, incentivada pela alta demanda mundial de grãos, os dados de desmatamento relacionados à soja não são tão significativos como os da pecuária, a responsável por abrir novas terras à agricultura.

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Rodovias: vetores da expansão agropecuária

A abertura de estradas a partir da década de 1960, especialmente as rodovias Belém-Brasília e Cuiabá-Porto Velho, facilitaram a chegada de colonos e a derrubada da floresta amazônica. Quase todo o desmatamento na Amazônia ocorre a 5,5 km de alguma estrada ou a 1 km de rios, segundo estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Esse tipo de desmatamento é conhecido como “espinha de peixe”, formando mosaicos de áreas devastadas ao longo de estradas, intercalados com pequenos fragmentos florestais.

A BR-163 é um exemplo da relação entre rodovia e desmatamento na Amazônia. Inaugurada em 1976, possui 3.579 km de extensão, desde o Rio Grande do Sul até o Pará. A imagem abaixo é próxima a essa rodovia, no trecho situado no limite entre os estados do Mato Grosso e do Pará. Essa é uma das regiões onde há maior índice de desmatamento da Amazônia.

Fronteira agrícola


Em 1960, o Brasil era um país que precisava importar alimentos, inclusive carne e frango. Atualmente, o país é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo e possui o maior rebanho bovino do planeta.

Foram as inovações tecnológicas, ocorridas a partir da década de 1970, as responsáveis por modificar o campo brasileiro. Com elas, a agricultura ficou menos dependente dos ciclos naturais, expandiu a área cultivada e experimentou um aumento na produtividade. A mecanização, a incorporação de novos solos a partir do uso de fertilizantes químicos e a biotecnologia são algumas das principais características da modernização das atividades agropecuárias. Essas transformações no campo se instalaram especialmente na região Centro-Sul, beneficiando sobretudo culturas voltadas à exportação, como a cana, a soja e a laranja.

Com a intensa modernização agrícola ocorrida no Centro-Sul, novas terras passaram a ser incorporadas em direção ao Centro-Oeste e Norte do país a partir da década de 1970. Esse processo é chamado de expansão da fronteira agrícola, marcando o limite entre o que já está e o que ainda será ocupado. Esse limite também pode ser entendido como o avanço da agropecuária sobre o cerrado e a chegada até as bordas da amazônia.

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O Brasil é um dos países com maior fronteira agrícola do mundo, além de ser um dos que mais expandiram a sua área de cultivo. Ainda assim, o país ainda possui um imenso estoque de terra a explorar.

Autor: José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, IPEA (2016)

O Estado brasileiro participou intensamente da expansão da fronteira agrícola, ordenando a ocupação do campo com incentivos fiscais, projetos agropecuários e de colonização ao longo de rodovias. A criação da  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1972, foi decisiva para desenvolver sistemas de produção mais eficientes.

A utilização comercial das terras do Cerrado foi intensificada com a calagem, uma técnica de correção química do solo ácido. A tropicalização da soja com o uso da biotecnologia propiciou que essa cultura avançasse rumo ao norte, ocupando os chapadões do Brasil central, cuja topografia suave facilita a mecanização.

A mais recente fronteira agrícola do Brasil, iniciada a partir dos anos 1990, é denominada Matopiba, acrônimo para os estados do Maranhão, Tocantins, Piaui e Bahia. Até o final da década de 1980, e pecuária extensiva era a atividade mais comum nessa região. Hoje, esses estados respondem por grande parte da produção de grãos, especialmente soja, e contam com intensa modernização do campo.

Arco do desmatamento 

O avanço da fronteira agrícola se deu sobretudo sobre o Cerrado, que por coincidência é o bioma mais devastado do Brasil, com 52% da sua área original já perdida. Na Amazônia, a chegada da fronteira agrícola se iniciou a partir dos anos 1970, com a participação do Estado no ordenamento de ocupações. O regime militar vigente na época visava ocupar espaços vazios e, com isso, controlar o território nacional. Assentamentos ao lado de rodovias federais recém construídas foram incentivadas e atraíram muitos colonos.


Hoje, essa região forma o chamado arco do desmatamento, um território com 256 municípios que vai do oeste do maranhão e sul do Pará em direção a oeste, passando pelos estados do Mato Grosso, Rondônia e Acre. Ali, ocorrem 75% dos desmatamentos na Amazônia, especialmente no entorno de rodovias.

Em 2019, os estados do Pará e do Mato Grosso foram os que mais sofreram com o desmatamento. Clique na imagem abaixo e explore no Google Maps essa área situada no arco de desmatamento, no limite entre o Pará e o Mato Grosso. Perceba as estradas de terra que se originaram a partir da BR 163, um importante eixo de escoamento da produção agropecuária.

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Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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