Como se formam essas rochas que parecem cogumelos?

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

30 de março de 2019

Imagem: Daily Overview.

Quem nunca sonhou em voar de balão na Capadócia? Essa estonteante paisagem, situada na Turquia, faz a gente pensar em como esse relevo se originou.

Uma das formações mais curiosas da Capadócia é conhecida como chaminé de fada, grandes colunas rochosas, com até 40 metros de altura, que se parecem com cogumelos e exemplificam a interação do clima com o relevo.

Há cerca de 24 milhões de anos, uma sucessão de eventos vulcânicos começou a formar a província vulcânica da Capadócia. Nessa área, fragmentos vulcânicos cobriram os sedimentos já existentes e ficaram expostos ao clima.

É importante saber que esses fragmentos vulcânicos, conhecidos como depósitos piroclásticos, não são lava, mas sim componentes sólidos de diferentes tamanhos, desde poeira (cinza vulcânica) até blocos de um metro cúbico.

Os fragmentos vulcânicos (piroclastos) são bem mais resistentes à ação do clima se comparados aos sedimentos que já estavam na região da Capadócia. Em terrenos mais íngremes (vertentes), a velocidade da água é capaz de levar os materiais mais finos e menos volumosos, deixando os materiais mais volumosos e mais rígidos.

Além disso, parte das rochas é removida por dissolução na água. Assim, o terreno foi sendo erodido e, na parte de cima, sobraram os piroclastos que, por serem mais resistentes, constituem a cabeça do cogumelo rochoso.

A resistente cabeça das chaminés de fada protege a parte de baixo da coluna, formada por sedimentos fluviais (de antigos rios ou lagos). É justamente pela parte de baixo que a erosão vai evoluindo, como riachos verticais, até que as chaminés de fada fiquem isoladas umas das outras.

Além de ser um geopatrimônio, um local de valor singular e que representa a geodiversidade da Terra, a Capadócia é uma região onde, durante milhares de anos, várias civilizações escavaram as rochas formadas por sedimentos mais moles para construir suas casas em cavernas naturais ou artificiais, algumas delas ainda habitadas.

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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