A paisagem é característica do polígono das secas brasileiro, porém, trata-se da região de Itu, situada nos limites entre o Planalto Atlântico e a Depressão Periférica do estado de São Paulo, próxima à capital paulista. Cenários bizarros como este poderiam ser encontrados, também, em outras regiões do Brasil, como nas paredes do Pão de Açúcar (Rio de Janeiro) e até mesmo na Amazônia Central e no entorno do Pantanal Mato-grossense. São lugares que contam a história das condições físicas do passado, entre 23.000 e 13.000 anos antes do presente, quando o nível do mar estava a menos 100 metros que hoje e a fachada atlântica do Sul e Sudeste, banhada na época por correntes frias, sofreu um período de menos calor e maior semi-aridez, conforme explicou o geógrafo Aziz Ab´Sáber. Esta fantástica ampliação dos climas secos fez com que faixas de florestas permanecessem e se fragmentassem enquanto caatingas se estendiam. Formaram-se, então, os redutos de cactáceas que podem ser constatados hoje em subespaços extra-sertanejos. Estes lugares extraordinários, de grande importância científica, onde ocorrem cactos por entre matacões – rochas que afloram na superfície – são exceções paisagísticas que, muitas vezes, carecem de atenção e conservação.