Conflito pela água no Oriente Médio

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

9 de março de 2019

Trecho do Rio Jordão nas proximidades da sua foz, no Mar Morto. Imagem: Provideo

As águas que correm pelo Rio Jordão, no Oriente Médio, são umas das mais disputadas do mundo. O rio atravessa uma região muito seca, habitada por 270 milhões de pessoas.

Em uma região marcada por conflitos que envolvem a intolerância religiosa e controle das maiores reservas de petróleo do mundo, a água é mais um importante componente de disputa nesse complexo quadro geopolítico.

Enquanto a população do Oriente Médio cresce a uma taxa de 2% ao ano, quase o dobro da taxa global, a disponibilidade de água doce per capta caiu dois terços ao longo dos últimos 40 anos, e deverá diminuir mais 50% até 2050.

Um dos casos que podem exemplificar o conflito pela água na região é protagonizado por Israel, Jordânia e Síria, envolvendo também os territórios palestinos.

A Guerra dos Seis Dias, em 1967, teve como um dos pontos de tensão o controle do Rio Jordão. Em resposta à intenção da Jordânia de desviar o Rio Jordão para uso próprio, Israel invadiu a Síria e tomou a colina de Golã, onde se localiza a nascente desse rio.

A terra tomada por Israel lhe garantiu também o controle do aquífero localizado na Cisjordânia, o que fez aumentar os recursos hídricos israelenses em quase 50%.

Atualmente, Israel explora 80% dos recursos hídricos do Rio Jordão, enquanto os Palestinos ficam com os 20% restantes. O Acordo de Paz de Oslo, de 1993, estipulou que os Palestinos devem ter mais controle sobre o uso da água na região, mas até hoje a distribuição da água entre os povos é injusta.

No território palestino da Cisjordânia, cada pessoa dispõe de apenas 35 litros de água por dia, enquanto que a ONU recomenda 110 litros de água por dia para atender as necessidades básicas de um ser humano. Enquanto isso, na mesma Cisjordânia, colonos israelenses desfruam de piscinas e gramados irrigados.

Adriano Liziero

Adriano Liziero

Editor | Geógrafo

Estudei Geografia influenciado pela experiência de viver em Angola, país que despertou em mim a vontade de compreender o mundo. Meu gosto pela escrita também me levou ao jornalismo.
Trabalho no mercado editorial de didáticos, com foco em tecnologia educacional. Criei o Geografia Visual para explicar o mundo utilizando o poder didático das imagens.

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