Mesmo situado no interior de uma placa tectônica, a Sul-Americana, o Brasil não está imune a abalos sísmicos causados por falhas geológicas. Entretanto, esses terremotos costumam ter baixa intensidade, embora possam provocar danos em algumas construções.
Mesmo possuindo um extenso litoral, o Brasil está imune a um tsunami?
Um vulcão situado na costa oeste da África pode ser a causa de ondas gigantes que poderiam atingir o Brasil em apenas 8 ou 9 horas.

Como se forma um tsunami?

Os tsunamis são ondas gigantes formadas em resposta a erupções vulcânicas em áreas oceânicas, ao deslizamento de grandes encostas junto ao mar ou, ainda, ao movimento da crosta oceânica devido a abalos sísmicos.

A velocidade de propagação de um tsunami pode chegar a 800 km/h. À medida que o tsunami se aproxima da costa, perde velocidade, mas tem a onda aumentada pelo atrito com o fundo mais raso do oceano.
A onda gigante é capaz de causar grandes destruições, e pode vir acompanhada de uma sequência de outras ondas.

Como um tsunami poderia atingir o Brasil?

O vulcão Cumbre Vieja, localizado no arquipélago das Ilhas Canárias, na costa oeste da África, pode despejar ao mar cerca de 500 bilhões de toneladas de sedimento, originado pelo deslizamento de suas instáveis encostas.
Esse fenômeno seria capaz de produzir ondas gigantes que, em poucas horas,  atingiriam o Caribe, Flórida e costas norte e nordeste do Brasil, além do oeste da Europa. O vídeo a seguir mostra a evolução desse Tsunami.

Alguns modelos apontam que as ondas chegariam ao Brasil em 8 ou 9 horas, com uma altura de 40 metros.
O geógrafo Paulo Rosa, pesquisador e professor de Geociências da UFPB, diz que o Brasil não está preparado para os efeitos de um evento como esse. Além da dificuldade de pesquisar o fenômeno, há carência de planos de treinamento e evacuação.
De acordo com o pesquisador, os sistemas naturais podem ser a grande defesa do nosso litoral.  “Precisamos preservar os mangues e os arrecifes por diversos motivos e este caso de uma onda gigante é apenas mais uma das razões”, refletiu.
Leia a entrevista com o geógrafo Paulo Rosa, publicada no ClickPB.

Estudos confirmam que Cumbre Vieja está estável

Nem todos os cientistas concordam que o deslizamento das encostas provocaria ondas dessa magnitude. Há estimativas que o edifício vulcânico do Cumbre Vieja esteja longe de sofrer um deslizamento de terras capaz de provocar um tsunami.
Em 1949, uma erupção fez o cume da montanha cair vários metros adentro do Oceano Atlântico, mas não provocou qualquer tsunami.
A última grande erupção do Cumbre Vieja ocorreu em 1971, também sem consequências.

Fonte: WARD, Steven N. Cumbre Vieja Volcano — Potential collapse and tsunami at La Palma, Canary Islands.
 

Adriano Liziero
Blogueiro desde 1999 e hacker desde cedo, gosto de desmontar e descomplicar coisas. Voltei de Angola, onde vivi durante quatro anos, querendo ser piloto de avião e geógrafo. Estudei aviação e, mais tarde, ingressei na faculdade de Geografia da USP. Minha paixão por descomplicar coisas me levou também ao jornalismo. Há sete anos, trabalho fazendo games, vídeos e infográficos de geografia. Fundei o Geografia Visual para explicar o mundo de um jeito diferente e criativo.